Lucas Nogueira – Urologia Oncológica • Cirurgia Robótica
Uro-oncologia/Câncer de Bexiga

Câncer de Bexiga

Sangue na urina é o sinal que não pode ser ignorado. Entenda como o diagnóstico é feito e por que a pergunta mais importante é se o tumor invadiu ou não a parede da bexiga.

Principal causa
O cigarroResponsável por cerca de metade dos casos. Parar de fumar reduz o risco de ter a doença e de ela voltar.
Sinal de alerta
Sangue na urinaIndolor, que vai e volta. Mesmo um único episódio precisa ser investigado.
A pergunta decisiva
O tumor invadiu o músculo?Cerca de 75% não invadem e são tratados preservando a bexiga.
O que é

O revestimento da bexiga

A bexiga é o órgão que armazena a urina. Seu revestimento interno, chamado urotélio, é onde nascem mais de 90% dos tumores de bexiga. O mesmo revestimento existe nos ureteres e na pelve renal, por isso o urologista também avalia essas regiões.

O INCA estima cerca de 11 mil novos casos por ano no Brasil, três vezes mais em homens do que em mulheres, em geral depois dos 60 anos.

Sinais de alerta

Um sinal que não pode ser ignorado

  • Sangue na urinaO sinal mais importante. Costuma ser indolor e pode aparecer e sumir sozinho. Sangue visível apenas no exame de urina também merece avaliação.
  • Vontade frequente e urgente de urinar, ardência ao urinarSem infecção que explique.
Diagnóstico

Como se confirma

  1. Exames de imagem

    A ultrassonografia é um bom primeiro exame. A tomografia com contraste (urotomografia) avalia a bexiga, os ureteres e os rins ao mesmo tempo.

  2. Cistoscopia

    Uma câmera fina entra pela uretra e mostra o interior da bexiga. É feita no consultório, com anestesia local, em poucos minutos. É o exame que confirma se há tumor.

  3. Citologia urinária

    Procura células anormais na urina; útil nos tumores de alto grau.

  4. RTU de bexiga: a primeira cirurgia

    Sob anestesia, o tumor é retirado por dentro da uretra, sem cortes. Serve para tratar e para responder à pergunta mais importante: o tumor invadiu ou não a camada muscular? Em alguns casos, uma segunda RTU semanas depois é recomendada para garantir que nada ficou para trás. Isso faz parte do tratamento correto, não é sinal de que algo deu errado.

Tratamento

Tumor que não invade o músculo

Cerca de 75% dos casos. São tumores que ficam no revestimento da bexiga. O órgão é preservado, mas esses tumores têm tendência a voltar, por isso o acompanhamento com cistoscopias periódicas é essencial.

Após a RTU

Instilações na bexiga

Para reduzir o risco de o tumor voltar ou progredir, aplica-se um medicamento dentro da bexiga por uma sonda, em sessões semanais. O mais usado é o BCG, que estimula o próprio sistema de defesa a atacar as células tumorais. Mitomicina e gencitabina são alternativas.

Novas opções

Quando o BCG não funciona

Hoje há alternativas antes de pensar em retirar a bexiga: imunoterapia (pembrolizumabe), terapia gênica intravesical e sistemas de liberação prolongada de quimioterápico dentro da bexiga.

Alto risco

Cistectomia precoce

Nos tumores de alto risco que não respondem, a retirada da bexiga pode ser a melhor forma de garantir a cura.

Tratamento

Tumor que invade o músculo

Cerca de 25% dos casos. É uma doença mais séria, que exige tratamento rápido e combinado, geralmente com a participação de oncologista clínico e radioterapeuta.

Antes da cirurgia

Quimioterapia neoadjuvante

Alguns ciclos de quimioterapia antes de operar aumentam a chance de cura, pois tratam células que podem já ter escapado da bexiga. Imunoterapia também passou a ser usada nessa fase em situações específicas.

Maior chance de cura

Cistectomia radical robótica

Retirada da bexiga e dos gânglios da pelve (no homem, também da próstata). Pela via robótica, com menor sangramento e recuperação mais rápida.

Depois da cirurgia

Como a urina sai

A neobexiga usa um segmento do intestino para construir uma nova bexiga ligada à uretra, e o paciente volta a urinar de forma próxima ao natural. O conduto ileal leva a urina a uma bolsinha externa. Ambas permitem uma vida ativa.

Pacientes selecionados

Preservação da bexiga

A combinação de RTU completa, quimioterapia e radioterapia (tratamento trimodal) pode evitar a retirada do órgão, com acompanhamento rigoroso.

Doença avançada

Imunoterapia e anticorpos conjugados

Além da quimioterapia, a imunoterapia e os anticorpos conjugados (como o enfortumabe vedotina) aumentaram de forma expressiva o tempo e a qualidade de vida, e hoje são usados já na primeira linha.

Perguntas frequentes

O que os pacientes mais perguntam

Tive sangue na urina uma vez e parou. Preciso investigar?

Sim. O sangramento do câncer de bexiga é tipicamente intermitente. Um episódio que passou não descarta a doença.

Vou precisar de cistoscopias para sempre?

Nos tumores que não invadem o músculo, o acompanhamento é longo, mas os intervalos aumentam com o tempo conforme o risco de cada caso.

Dá para viver bem sem a bexiga?

Sim. Com a neobexiga ou o conduto ileal, a grande maioria dos pacientes retoma o trabalho, a atividade física e a vida social.

Parar de fumar ainda adianta depois do diagnóstico?

Sim. Reduz a chance de o tumor voltar e melhora a resposta ao tratamento.

Atendimento

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Conteúdo informativo, escrito pelo Dr. Lucas Nogueira com base nas diretrizes da Sociedade Brasileira de Urologia, da European Association of Urology e da American Urological Association. Não substitui a consulta médica. Revisado em setembro de 2026.